(Concordo)
domingo, 10 de novembro de 2013
sábado, 9 de novembro de 2013
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Crenças (Parte3)
Richard Dawkins, socorra-nos!
O professor, biólogo e evolucionista Richard Dawkins (por um acaso, também ateu) trava já ao longo de muitos anos uma verdadeira batalha para assegurar o ensino técnico-científico em escolas públicas de todo o mundo. Especialmente em entidades de ensino britânicas, de onde o ele é.
Lá, como em outros lugares, omite-se propositalmente as descobertas acerca da evolução das espécies, tratada na obra principal de Charles Darwin, em nome de crenças outras que a este opõem-se radicalmente. O prejuízo, lógico, é o da evolução do conhecimento...
São notórios na internet os vídeos e documentários do biólogo evolucionista sobre o tema, onde o mesmo bate muito (e sem dó) principalmente nas crenças monoteístas dominantes de todo o mundo, a despeito do imenso desconhecimento histórico científico que isso pode nos causar. E, para ser enfático, concordo em número, gênero e grau com ele.
Crer, antes de mais nada, é um gesto íntimo, pessoal e inalienável. Todos têm esse direito e assim o deve ser. Mas esse direito não pode sobrepor o conhecimento técnico, baseado em observação, experimentação e interpretação, para ensinar-se nas escolas exatamente o seu inverso.
Se alguém deseja crer que o mundo não tenha mais que 5 mil anos de idade, tudo bem. Se esse mesmo alguém for professor, for responsável por propagar o conhecimento, e ainda assim deseja negar as evidências científicas, então temos um grave problema. Pois, como já disse, o risco é do retrocesso.
Pior: o risco é o do fundamentalismo religioso. Já que é sabido a visão e a opinião destes acerca do aborto, homossexualismo, entre outros (totalmente inverso à realidade crítica atual, aliás).
Qualquer outro conhecimento que não o histórico científico (sem comprovações) até pode ser ensinado, sim, para crianças, mas fora das escolas (e sem dinheiro público, de preferência). Mas o caso é que Religião não é para crianças. Política não é para crianças. Economia, Filosofia e Sociologia também não são para crianças. Como o Caos não é para crianças.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Crenças (Parte 2)
Evolucionismo ou o quê?
Me assusta a ideia de que a crença religiosa (seja ela qual for) possa se sobrepor ao conhecimento científico, às descobertas seculares e as verificações históricas que dispomos.
Vivemos num país laico, livre e todos têm o direito à crença. Contudo, é pavoroso observar professores de ciências, biologia e afins que omitem propositalmente tópicos científicos (como a teoria da evolução, por exemplo) a despeito de crenças íntimas e pessoais, como o fato de a Terra ter sido criada em 7 dias.
Que se conteste a existência exata dos Dinossauros (extintos há centenas de milhões de anos) ou a evidência científica de um ancestral comum que ligam os seres humanos aos símios, vá lá (ou não), mas é inegociável que se evidencie sim as descobertas e a história do conhecimento científico ao longo da humanidade para jovens estudantes...
Pois, como se sabe, esses mesmos conhecimentos e descobertas nos trouxeram até aqui, nos fizeram avançar e evoluir (socialmente falando), e nos permitiram o avanço médico de que dispomos, além da cura de doenças e a eliminação de crenças obsoletas, estúpidas e estapafúrdias (a catalepsia e a lepra, por exemplo, eram consideradas "maldições" ou coisa do gênero).
Hoje, negamos a evolução em troca de crenças outrem. Amanhã, permitimos a exclusão daquilo que não for mais conveniente ensinarmos nas escolas, como a Filosofia clássica, o raciocínio lógico etc. É um perigo, ainda mais, para quem consegue olhar pelo espelho retrovisor e recordar facilmente os dias de opressão, decapitação e as "fogueiras" de bruxas.
Eu, de minha parte, acredito mesmo é no caos.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Crenças (Parte 1)
O que faz de uma pessoa um bom professor?
Ao longo desses anos tenho observado toda a sorte de colegas
professores, dedicados ou nem tanto, além dos despreparados, desmotivados e os completamente
desinteressados pela própria profissão.
É assustador notar que esses profissionais são responsáveis
pela formação e pelo despertar intelectual da massa futura do Brasil... Quase
todos os dias vejo e ouço asneiras inaceitáveis, bobagens inimagináveis e toda
uma gama de profundo desconhecimento desses sobre o que é (e do que deveria ser) uma
escola.
Concordo que os baixos salários atraiam justamente os profissionais
menos qualificados (pessoas com a mesma
formação em outras áreas ganham melhores salários quando estão fora da Educação),
entretanto, era preciso que estes ao menos se conscientizassem do importante e
fundamental papel que desempenham. Ganhar pouco, nesse caso, não é desculpa para
um péssimo trabalho.
A maioria das pessoas nem imagina o quão despreparados parte significativa de professores
e professoras entram em salas de aula, especialmente no extremo da periferia, onde os mais qualificados e especializados não chegam. Pior: a
atitude destes é por vezes deliberada e proposital. É comum notar professores “enrolando”,
“enchendo linguiça” ou mesmo entulhando alunos de cópias de livros didáticos só para passar o tempo, e durante todo o ano letivo.
A minha postura crítica (essa que faço agora, por exemplo) é, antes de qualquer coisa, mal
vista e desaprovada pela maioria dos meus colegas (claro). Todavia, como pai de
filhos também estudantes de escola pública e professor apaixonado pelo que faz, sinto-me
profundamente agredido por essa situação. Dialogar com essas pessoas é
impossível. O profissional brasileiro em via de regra não gosta de receber uma
crítica, de ser avaliado ou de receber “um
toque”. E tudo segue-se na mais perfeita harmonia propícia para o caos: professor despreparado e desmotivado; aluno mal formado. terça-feira, 5 de novembro de 2013
Doce Novembro
Qual o sentido da vida?
Essas e outras perguntas foram feitas a alunos de várias idades, repentinamente, sem que tivessem muito tempo para pensar. Após alguns segundos e minutos, então, as ideias começam a fluir. E é como água caudalosa rio abaixo...
Jovem age jovem em qualquer época, pude aprender isso com total facilidade.
Seus anseios e suas indagações são as mesmas de antigamente, independem de tempo local, e no fundo todos queremos a mesma coisa: um pouco de paz, alegria e encontrar a felicidade.
Em posts futuros trarei minhas impressões acerca dessas e de outras discussões (em plena aula de matemática) e do quão surpreendente podem ser uma conversa franca e aberta, honesta, justamente numa época em que imperam egoísmo e individualismo.
Qual o sentido do caos?
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Halloween
Abóboras, caos e delinquência cultural.
É curioso como o brasileiro ainda se entusiasma com a cultura alheia, com os personagens alheios, e dedica tempo, dinheiro e energia à estórias que nada tem a ver conosco. É por essas e outras que os americanos dominam todo o mundo: afinal, eles nos venderam o seu estilo de vida, seu modo de viver, suas crenças e seu próprio folclore.
Oras, que tem a ver o Halloween com o nosso povo, nossa história e nosso próprio folclore, aliás? Que há de errado com o nosso folclore? O Saci e a Mula sem cabeça, o Curupira e tantas outras estórias já não são mais do que suficientes?
Entendo todos esses conceitos de cultura e de aculturação (um processo complexo onde um povo recebe influências profundas de outrem, etc., etc., etc.). Contudo, ainda penso que se poderia incentivar a prática e o profundo conhecimento dos nossos próprios personagens folclóricos, nossas estórias, e a história contida na trajetória desses.
Receber influências externas cegamente, de outros países com suas culturas impostas, é tão saudável quando beber detergente líquido. Pior: fomentar apenas esse viés é tão maléfico quanto. Há mais riqueza em nossa própria cultura quanto em qualquer outra. Entretanto, persiste ainda o mesmo modus operandi de sempre: o complexo de cachorro vira lata do qual Nelson Rodrigues tanto falou. A ideia de que a grama do vizinho é mais verde que a nossa permanece: a cultura de países desenvolvidos nos parece melhor e mais aprazível que a nossa própria...
Enquanto isso, o caos fantasia-se de vela dentro de uma abóbora.
domingo, 3 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Enem 2013
Da série: "Vestibulares que não fazemos por aí".
(Parte 4: O pós prova):
O mais curioso (ou não) é a "ressaca" pós prova. E, como em toda ressaca, sobram arrependimentos e faltam respostas.
O meu papel (o de chato) é revisar cada questão novamente e repercutir todas as alternativas. Afinal, não há nada na prova que já não tenha sido estudado, exercitado, etc.
É isso. Caos anual, em dois dias de provas, com quatro horas de duração mínima.
(Parte 4: O pós prova):
(Você com certeza nunca mais vai esquecer dele)
O mais curioso (ou não) é a "ressaca" pós prova. E, como em toda ressaca, sobram arrependimentos e faltam respostas.
O meu papel (o de chato) é revisar cada questão novamente e repercutir todas as alternativas. Afinal, não há nada na prova que já não tenha sido estudado, exercitado, etc.
É isso. Caos anual, em dois dias de provas, com quatro horas de duração mínima.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Enem 2013
Da série: "Vestibulares que não fazemos por aí".
(Parte 3: O pós prova):
Estudante é tudo igual, muda apenas de escola, idade e sexo:
- Professor, eu quase acertei a questão!
- Não, você errou a questão.
- Mas eu cheguei perto!
- Não, você errou a questão...
- Eu sabia a resposta, só errei a alternativa. Entendeu?
- Não. Você errou a questão, é estupido e vive de ilusões. Entendeu?
É assim. É caos pós Enem.
(Parte 3: O pós prova):
Ou não.
Estudante é tudo igual, muda apenas de escola, idade e sexo:
- Professor, eu quase acertei a questão!
- Não, você errou a questão.
- Mas eu cheguei perto!
- Não, você errou a questão...
- Eu sabia a resposta, só errei a alternativa. Entendeu?
- Não. Você errou a questão, é estupido e vive de ilusões. Entendeu?
É assim. É caos pós Enem.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Enem 2013
Da série: "Vestibulares que não fazemos por aí".
(Parte 2: Candidatos):
(Parte 2: Candidatos):
Ou não.
Qual seria a melhor forma de admitir estudantes nas universidades? Gosto de debater com os alunos essas (e muitas outras) questões acerca do assunto.
Uma coisa é certa: o sistema atual não é perfeito (nenhum será jamais) e não significa que os "melhores" candidatos sejam de fato os escolhidos.
E aqui faço uma crítica (e uma auto crítica) às escolas e colégios, públicos e particulares: os alunos são tratados com isonomia (igualdade) e são colocados quase que completamente num mesmo nível, num nível burro e comum, que os fazem pensar por anos que todos têm as mesmas chances. E isto, para ser honesto, é um erro brutal.
Basta ver que em todas as provas externas de seleção ninguém é tratado como igual, nunca, e (ao contrário) há um processo de seleção rígido, rigoroso e extenuante. A única igualdade que existe é a liberdade de acesso e de oportunidades; toda e qualquer pessoa tem a chance que candidatar-se. E só. Pois apenas a ínfima minoria passará pelo crivo dos testes mais difíceis. Somente aqueles que tiverem a melhor e mais profunda preparação...
Falo com os alunos, constantemente, acerca da não igualdade que há entre eles. Repito e repito: eles não são iguais, não têm as mesmas qualidades e capacidades, não possuem as mesmas potencialidades, e não serão tratados com igualdade no mundo lá fora.
Nenhum selecionador do RH de uma empresa, por exemplo, escolherá um currículo pela simpatia ou porque um candidato é "esforçado". Ser esforçado é pouco! É nada!
Contudo, penso que um menino ou uma menina pode ser "treinado" na escola desde cedo a ser médico, dentista ou advogado (por exemplo) desde muito cedo, desde a pré escola (ou antes).
Alunos com extrema capacidade de leitura e interpretação de texto, por exemplo, terão maior facilidade em determinadas profissões, e podem ser estimulados desde sempre (devem, na verdade) nessa mesma direção. Outros alunos que têm maiores facilidades com cálculos, ou com biológicas, seriam encaminhados à essas profissões.
Entretanto, o que fazemos? Entulhamos a todos numa única sala de aula, ensinamo-lhes uma infinidade de conteúdos complexos e distantes da nossa realidade (e a maioria desnecessários) e fingimos assim que todos aprendem. E cobramo-los em exames e vestibulares que decorem isso e aquilo. Mas, todavia, como se faz um bom Engenheiro? E um bom Professor? Como se forma ou se molda um profissional de primeira qualidade? Um profissional feliz?
Com certeza, a resposta não esta em nenhum desses testes e exames. Talvez esteja no caos. Ou no futuro, onde as respostas estão.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Enem 2013
Da série: "Vestibulares que não fazemos por aí".
(Parte 1: Sete milhões de inscritos. E?):
Ou não.
O Enem tornou-se mais um evento importante na vida dos estudantes brasileiros. Vejo e revejo essa mesma história todos os anos: mentes aflitas, revisão em cima de revisão, e o caos ameaçando a todos. Mas isso, sejamos sinceros, ocorre com a minoria.
A maioria dos estudantes de Ensino Médio pouco liga para o Enem. Se isso não fosse verdade, eu teria (por exemplo) uma média um pouco melhor que os 18% de inscrições realizadas dentre os alunos que leciono. Todo o resto não se importou sequer em inscrever-se (mesmo nos casos em que a taxa era gratuita).
O número estrondoso de 7 milhões de inscritos reflete (e corrobora) algo que venho dizendo aqui há algum tempo: a maioria dos jovens e adultos que realmente busca algo, uma profissão ou educação qualificada, o faz por necessidade e por um amadurecimento posterior. Coisa que somente a idade é capaz de trazer.
Isto é, ninguém é capaz verdadeiramente de encontrar o início do seu caminho profissional aos 17 anos de idade.
Vejo esses jovens decorando fórmulas (sem compreendê-las completamente) e buscando "macetes" para acertar o maior número de questões possíveis. E isso é o Enem. E esse é o nosso processo de admissão de jovens estudantes às universidades de todo o país.
Mas será o jeito melhor? Será o jeito menos pior?
Uma coisa é certa: nenhum desses candidatos busca o conhecimento qualificado (ao menos a maioria) e sim uma forma rápida de conseguir um diploma importante. Apenas isso. Apenas caos.
domingo, 27 de outubro de 2013
sábado, 26 de outubro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Inclusão
Somos realmente capazes de cuidar de crianças especiais?
A escola prima por incluir alunos com algum tipo de deficiência (os dito alunos especiais, com necessidades especiais), contudo, nenhum de nós professores tivemos ou temos qualquer preparação para lhe dar com esse tipo de situação. Tenho alunos nessa situação que, eventualmente, tomam atitudes mais agressivas com os colegas e, nesse instante, pergunto-me qual seria a reação correta. A resposta, claro, é que eu não sei o que fazer.
Não basta salas superlotadas. Não basta a absoluta falta de estrutura. Nem a falta de uma mísera máquina de xerox. Nada disso é precariedade suficiente. É preciso ainda que haja dificuldades maiores, complexas e adversas. Sinto-me impotente para lhe dar com os alunos regulares (sem nenhum tipo de necessidade especial) com desinteresse extremo de sempre, o caos quotidiano, etc. Pior ainda é ter que retribuir às expectativas de pais e mães acerca de filhos com capacidade limitada, com necessidades diferenciadas e uma ansiedade acima do aceitável.
Seja lá como for, o resultado de tudo isso não será nada bom. O caos, olhando-nos à espreita, espera que prossigamos assim: piorando tudo e contribuindo para a anormalidade.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Calor
Quente, muito quente.
Juro, realmente cansado de tudo isso. Do caos, de uma estrutura falha, e de um Sistema que insiste em nos boicotar.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Erro
Tudo esta um erro só.
Tenho alunos que vão passar de ano. Na verdade, todos os alunos irão passar de ano. E isso ocorrerá não por uma competência espetacular, resultado de estudos e dedicação, mas sim por uma regra burra e surda. Uma regra que não ouve os gritos aflitos de todos nós professores e professoras, de pais e mães que se importam com a educação e o futuro de crianças e jovens estudantes.
É simples assim de explicar: tenho muitos alunos que tiraram nota zero o ano inteiro, alunos completamente ANALFABETOS e que depredam a escola. Alunos que picham, sujam e agridem outros alunos e até mesmo alguns professores. E esses alunos serão automaticamente aprovados, todos eles (sem nenhuma exceção).
Sinto-me patético em dizer, mas tudo isso é caos. Não encontro outra palavra.
Os especialistas e inventores dessa Progressão Automática cometeram um grande erro. Não faziam ideia do que se passa nas escolas localizadas no extremo da periferia. Lá, o contexto é outro. Bem diferente de qualquer realidade plausível às suas teorias e deduções.
É isso. Simples assim. Dos quase 200 alunos que tenho nas 5.ª séries, em escola pública, 100% deles serão aprovados ainda mesmo que uma quantidade imensa destes não saibam sequer escrever o próprio nome corretamente, ler e escrever um texto ou calcular o básico que se espera.
Então eu pergunto: aonde esses jovens estarão trabalhando daqui há 10 anos? A quem estarão servindo (ou não), e do quê estarão dependendo para sobreviver? Resposta: caos.
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